penseFORADACAIXA

penseFORADACAIXA

terça-feira, janeiro 17, 2012

Jogo do bicho também tem História

Acertei no milhar

Estas são as primeiras palavras de um samba das antigas. Elas mostram um dos desejos mais antigos da humanidade: enriquecer para parar de trabalhar. Livrar-se das dívidas e poder viajar pelo mundo. Uma das formas mais utilizadas pela realização de tal sonho é a aposta. Apostar em jogos de azar foi e ainda é caso de polícia. E no Brasil a polícia vez ou outra aparece nos noticiários em ação contra os banqueiros do bicho (termo utilizado para se referir aos líderes das bancas de apostas). Mas, quando foi criado o jogo do bicho? Qual o motivo de tal criação? Por que é tão perseguido?
                O jogo do bicho teve início no Brasil em 1892, no Rio de Janeiro, mais precisamente na Vila Isabel, quando o barão de Drummond realizou o primeiro sorteio que funcionava da seguinte maneira: o apostador adquiria no Jardim Zoológico – isso mesmo, no Jardim Zoológico – um bilhete com a figura de um animal entre 25 outros. Ao bater das cinco horas da tarde era aberta uma caixa que ficava no alto de um poste na entrada do Jardim. Era revelado o animal que estava em um quadro e o apostador recebia vinte vezes o valor da aposta. O sucesso foi tremendo.
                O jogo foi criado com o objetivo de garantir renda para sustentar o Zoo. Pouco tempo depois da realização do primeiro jogo, foi deflagrada a perseguição a jogatina. Assim, o que antes fora liberado pelo Estado passou a representar uma ameaça a ordem social. Cronistas da época registraram a insatisfação com a frequência de pessoas ao Jardim para jogar, transformando o local que antes era de lazer em um “antro de apostadores”.
                Porém, a proibição do jogo não acabou com a jogatina. Pelo menos não fora dos muros do zoo. As apostas continuaram sendo feitas e o Jardim foi fechado em 1940. O que pode explicar o sucesso do jogo do bicho é a popularidade desse tipo de atividade no país e na capital federal, principalmente. Já eram vendidas loterias há algum tempo e o bicho foi apenas mais uma delas. Alguns defendem tal modalidade de aposta em uma trincheira de sobrevivência das classes populares.
                Uma coisa é certa: o que move os apostadores é o desejo de enriquecer sem maiores esforços; é a busca pelo fim das atividades laborais. Alguns caminham para o vício e ganham quase imediatamente o que perdem e na maioria das vezes perdem muito mais do que ganham.
                A canção Acertei no Milhar,  de Wilson Batista e Geraldo Pereira, mostra essa busca e como ela é parte de um sonho nutrido principalmente pelos grupos menos abastados:

Etelvina (o que é, Morengueira?)
Acertei no milhar!
Ganhei quinhentos contos (milhas), não vou mais trabalhar
você dê toda roupa velha aos pobres
e a mobília podemos quebrar


"Isso é pra já, vamos quebrar. Pam, pam, bum, etc..."
Etelvina vai ter outra lua-de-mel
você vai ser madame
vai morar num grande hotel            
eu vou comprar um nome não sei onde
de Marquês Morengueira de Visconde
um professor de francês mon amour
eu vou mudar seu nome pra Madame Pompadour    

Até que enfim agora sou feliz
vou passear a Europa toda até Paris
e nossos filhos, oh, que inferno       
eu vou pô-los num colégio interno
me telefone pro Mané do armazém
porque não quero ficar devendo nada a ninguém
e vou comprar um avião azul
para percorrer a América do Sul

mas de repente, derrepenguente
Etelvina me acordou está na hora do batente
mas de repente, derrepenguente
- Se acorda, vargulino! Saia pela porta de trás que na frente tem gente.               
Foi um sonho, minha gente!

Agora escute a canção:


TENHA HISTÓRIA NA CABEÇA!


Nenhum comentário:

Postar um comentário