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sábado, outubro 22, 2011

RESUMÃO "DESCOLONIZAÇÃO" AFRICANA PÓS SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

DESCOLONIZAÇÃO AFRICANA PÓS SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

            Após a  segunda guerra mundial o continente africano passou por um processo de descolonização, ou seja, territórios que antes estavam sob o controle das potências européias começaram a lutar por independência, pelo fim da exploração.
            Entretanto, vale observar que esse processo de “descolonização” foi efetivado a partir do momento em que as contradições nas colônias não podiam mais serem ignoradas. Quando as potências perceberam que não mais podiam protelar a separação mas também não poderiam perder suas fontes de lucro, elaboraram uma forma de mantê-las fornecendo as matérias-primas de que necessitavam, seja através de grupos burocráticos que atrapalhavam o desenvolvimento dos Estados africanos, seja através de intervenção armada.
            As lutas de libertação das colônias  foram movidas em grande parte pelos grupos dominantes africanos que se inspiraram nas concepções institucionais que foram adotadas na Índia. Entretanto, esses grupos não conheciam profundamente a realidade local.
            Esse desconhecimento fez com que os problemas sociais fossem encarados como taras que seriam extirpadas com a unidade nacional porém, isso não aconteceu. Confrontos antigos foram exacerbados e em alguns locais era considerado melhor manter-se submetido a dominação européia do que reunir-se  a grupos que temessem ou desprezassem.

AFRICA EX-BELGA

            Em 1960 foi conseguida a independência da atual República Congolesa. Agora democrática e parlamentarista, era governada por Kasawubu, tendo por primeiro-ministro Patrice Lumumba.
            Entretanto, revoltas separatistas lideradas pela província de Katanga - rica em cobre, manganês, diamante – ameaçaram a independência do Congo. Essas revoltas eram incentivadas pelas autoridades belgas.
            Os EUA e a URSS interviram no conflito interno. Os primeiros apoiaram Kasawubu temendo a ascensão de Lumumba e este foi apoiado pela segunda.
            Nesse ambiente de intensa guerra civil tanto Kasawubu como Lumumba foram excluídos do governo, que passou para as mãos do coronel Mobutu. Em 1961 Lumumba foi preso e morto em condições até hoje obscuras.
            Em 1965 o Congo tornou-se Zaire mas o nome africano não o libertou da dependência do capitalismo internacional.


ÁFRICA INGLESA

            A descolonização na África de dominação inglesa também partiu do princípio de abrir mão para poder dominar melhor, uma vez que as instituições administrativas e políticas permaneceram profundamente anglicizadas e as ligações econômicas fortes.
            Na Nigéria, que possuía nove grupos étnicos, 248 dialetos e 3 grandes grupos religiosos, não foram respeitadas as fronteiras étnicas, religiosas, levando várias vezes a confrontos violentos.
            Na Costa do Ouro o movimento de emancipação teve início com a formação do primeiro partido político moderno, em 1947: o United Gold Coast Convention (UGCC), sob a liderança de Kwame Nkrumah. Em 1957 a Costa do Ouro foi emancipada e adotou o nome de Gana, em homenagem ao antigo reino africano, além e ser uma afirmação de sua própria história.
            Nkrumah fundou o Partido da Convenção do Povo, que tinha como lema o slogan Self-government now! E que estava voltado para um grupo mais jovem que a pretensa burguesia do CGCC.
            Baseando-se no socialismo científico, Nkrumah considerava as greves contra-revolucionárias e que o papel dos sindicatos não deveria passar de educativo e de propaganda.
            Nkrumah foi derrubado pela burguesia ganense.


ÁFRICA FRANCESA

            As possessões francesas na África eram pobres em recursos naturais se fossem comparadas com as possessões vizinhas.
            A emancipação contou com a Lei-Quadro assinada em 1956 e que tinha como seus principais pontos:

1.    sufrágio universal;
2.    africanização dos escalões administrativos;
3.    ampliação das atribuições das assembléias eleitas;
4.    finalizou com as Áfricas ocidental e equatorial francesas.

Contudo, se observado com atenção, essa pretensa independência apenas criou vários Estados africanos sem força e sem poder real.
            Em 1958 Guiné tornou-se o primeiro estado independente e que se recusou a participar da comunidade de Estados africanos proposta por De Gaulle.
            Apesar de independente os principais recurso do país não saíram dos domínios estrangeiros: bauxita (França) e alumínio (EUA).

1960 foi o ano das emancipações na África: Togo, Senegal, Daomé, Costa do Marfim, Alto Volta, Níger, República Central Africana, Congo-Brazzaville, Gabão, Madagascar, Mauritânia, Chade, Senegal, Mali.


ÁFRICA PORTUGUESA

            As colônias portuguesas no Continente africano sempre resistiram ao domínio colonial. Nos séculos XVI a XVIII, os reinos do Kongo, Ndongo, Ngola e Matamba em Angola resistiram e, em Moçambique foi o Império de Gaza que enfrentou os conquistadores no século XIX.
            Jovens intelectuais que viajavam para Portugal em busca de um curso universitário entravam em contato com idéias políticas e passaram a organizar uma maneira de lutar dentro dos limites legais, ou seja, sem ir de encontro direto com o Estado colonizador.
            As lutas locais cresceram a partir das décadas de 1940 e 1950 com a formação de grupos como a  Liga Nacional Africana, em Angola e o Centro de Negros, em Moçambique. Buscavam denunciar as formas de discriminações contra os nativos e os chamados assimilados – os que possuíam instrução primária e que podiam tirar carteira de identificação.
            Externamente, estudantes que migraram para Portugal se organizaram em associações culturais legais como a Liga Africana, de 1919, que acolheu uma delegação da Segunda sessão da III Conferência Pan-Africana.
            Apesar da organização ter conquistado algumas mudanças como a abolição oficial do trabalho forçado, cumpre salientar que as maneiras de convocação para o trabalho permaneceram as mesmas. Visava-se inserir os africanos na maneira capitalista de trabalhar.
            Em Angola, a luta pela independência foi conduzida pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Entretanto, este não foi o único. A Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), liderada por Holden Roberto e a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), liderada por Jonas Savimbi, participaram ativamente do processo apesar de suas posturas contrárias (a MPLA era socialista e as outras duas pró-ocidentais).
            A independência de Angola foi conseguida em novembro de 1975 e teve como primeiro presidente Agostinho Neto, líder da MPLA.
            Em Moçambique, a independência foi apoiada pela Frente de Libertação de Moçambique, sob a liderança de Samora Machel, que entrou em conflito com a RENAMO ( partido da Reconstrução Nacional de Moçambique).
            A Guiné-Bissau tornou-se independente em 24 de setembro de 1973, conseguindo a confirmação da liberdade em 1975. seu primeiro presidente foi  Vasco Cabral, irmão de Amilcar Cabral.
            As Ilhas de Cabo Verde conseguiram a separação em junho de 1975, tendo como primeiro presidente Aristides Pereira.
            São Tomé e Príncipe, por sua vez, conseguiram a independência em 12 de junho de 1975.
            Em 1974 uma revolta de oficiais portugueses que lutaram nas colônias depôs o governo ditatorial ibérico, uma vez que a manutenção do país na guerra estava comprometendo 43% do orçamento nacional. Esse episódio ficou conhecido como A Revolução dos Cravos.

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